Descarte seguro de computadores é o processo que garante duas coisas antes de o equipamento deixar a empresa: que os dados gravados nele não possam mais ser recuperados e que o hardware vá para um destino ambientalmente adequado, com comprovação das duas etapas. Formatar o disco ou restaurar o sistema de fábrica não resolve a primeira parte. Os dados continuam lá.
Por que formatar não apaga os dados
Formatar um disco apaga o índice que diz onde cada arquivo está, não os arquivos. O conteúdo continua gravado até ser sobrescrito, e ferramentas de recuperação vendidas livremente conseguem reconstruir boa parte dele. Restaurar o computador para a configuração de fábrica tem o mesmo limite na maioria dos casos.
Nos SSDs o problema é diferente. Para durar mais, o controlador do SSD espalha as gravações por áreas que o sistema operacional não enxerga e guarda blocos de reserva. Um programa que só sobrescreve o disco pelo sistema operacional pode deixar essas áreas intactas. O apagamento de SSD precisa usar os comandos de sanitização do próprio dispositivo ou apagamento criptográfico.
Os três níveis de sanitização de dados
A referência mais usada no mundo para apagamento de mídias é a publicação SP 800-88, do National Institute of Standards and Technology (NIST), dos Estados Unidos. A revisão 2, publicada em setembro de 2025, substituiu a versão de 2014 e organiza a sanitização em três métodos:
| Método | O que faz? | Pode ser reutilizado? |
|---|---|---|
| Limpar (clear) | Torna os dados irrecuperáveis por meios comuns | Sim |
| Purgar (purge) | Torna a recuperação inviável mesmo com técnicas avançadas | Sim |
| Destruir (destroy) | Torna a recuperação fisicamente inviável | Não |
A revisão 2 mudou o foco da técnica isolada para o programa de sanitização: a empresa precisa definir o método conforme a sensibilidade da informação, verificar o resultado e documentar cada dispositivo. Para a escolha da técnica por tipo de mídia, a publicação remete à norma IEEE 2883.
Para a maioria dos equipamentos corporativos que serão reaproveitados, o objetivo é o nível de purga, feito por software certificado. A destruição física fica para mídias danificadas, que não aceitam apagamento, ou para dados de sensibilidade muito alta.
O que a LGPD tem a ver com o descarte
A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) não fala de descarte de equipamentos, mas alcança o que está dentro deles. Três artigos se aplicam diretamente:
- o artigo 46 obriga a empresa a adotar medidas de segurança para proteger dados pessoais de acessos não autorizados e de situações de perda ou vazamento;
- o artigo 16 determina que os dados pessoais sejam eliminados ao fim do tratamento, com exceções previstas em lei;
- o artigo 6º inclui entre os princípios a responsabilização e a prestação de contas, ou seja, a empresa precisa conseguir demonstrar que tomou as medidas.
As sanções aplicáveis pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) chegam a 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração (art. 52). E o prejuízo de mercado costuma ser maior que a multa: o custo médio de uma violação de dados no Brasil foi de R$ 7,19 milhões na edição 2025 do relatório Cost of a Data Breach, da IBM.
A consequência prática: um computador que sai da empresa com dados de clientes ou funcionários é um risco de LGPD, não só um resíduo.
Como comprovar que os dados foram apagados
A prova de apagamento é um relatório por dispositivo, identificado pelo número de série. Um relatório útil registra o equipamento e a mídia, o método aplicado, a data, o resultado da verificação e quem executou. Declaração genérica do tipo “os equipamentos foram formatados” não serve como prestação de contas.
Esse relatório deve ser arquivado junto com a documentação ambiental do mesmo lote, o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) e o Certificado de Destinação Final (CDF). Assim a empresa consegue responder, anos depois, o que aconteceu com cada máquina e com os dados que estavam nela.
Passo a passo do descarte seguro
- Faça o inventário dos equipamentos, com número de série e tipo de mídia de cada um (HD, SSD, memória interna).
- Classifique a sensibilidade dos dados que cada grupo de equipamentos armazenou.
- Defina o método de sanitização por tipo de mídia, seguindo a lógica de limpar, purgar ou destruir.
- Execute o apagamento com software certificado e verifique o resultado.
- Separe as mídias que falharam no apagamento para destruição física registrada.
- Guarde os relatórios de apagamento por número de série.
- Encaminhe o hardware para um destinador licenciado, com MTR e CDF.
- Arquive a documentação de dados e a ambiental juntas, por lote.
Como a Circular Brain faz o descarte seguro
No descarte corporativo feito pela Circular Brain, o apagamento de dados faz parte do processo. A Circular Brain utiliza um software de sanitização de dados que segue padrões internacionais como o NIST SP 800-88 e gera relatórios de auditoria para cada dispositivo apagado.
Essa sanitização atende HDs e SSDs de desktops, notebooks e servidores. Depois do apagamento, os equipamentos seguem para reaproveitamento ou para recicladores certificados da rede Circulare, e a empresa recebe na Plataforma Circulare os relatórios de apagamento e os certificados de destinação do mesmo lote.
Para planejar o descarte dos equipamentos da sua empresa, fale com o time comercial na página de descarte corporativo de eletrônicos.
Perguntas frequentes
Formatar o computador apaga os dados?
Não. A formatação remove o índice dos arquivos, mas o conteúdo continua gravado no disco até ser sobrescrito, e pode ser recuperado com ferramentas comuns. Para apagar de forma definitiva é preciso usar software de sanitização que sobrescreva ou apague a mídia por completo e verifique o resultado, ou destruir a mídia fisicamente.
Furar ou quebrar o HD resolve?
Nem sempre. Furos e marteladas deixam partes do disco inteiras, e essas partes podem conter dados legíveis. A destruição física segura é feita com equipamento próprio, como trituradores de mídia, e registrada por número de série. Para discos que ainda funcionam, o apagamento por software permite reaproveitar o equipamento.
Como apagar os dados de um SSD?
Com software que use os comandos de sanitização do próprio SSD ou apagamento criptográfico. Sobrescrever o SSD pelo sistema operacional pode deixar intactas as áreas reservadas que o controlador usa internamente. A revisão 2 do NIST SP 800-88 remete à norma IEEE 2883 para a escolha da técnica por tipo de mídia.
A LGPD exige certificado de apagamento?
A LGPD não cita um certificado específico, mas exige medidas de segurança (art. 46) e prestação de contas (art. 6º). Na prática, o relatório de apagamento por número de série é a forma de a empresa demonstrar que eliminou os dados pessoais antes de o equipamento sair do seu controle.
Celulares e tablets corporativos também precisam de apagamento?
Sim. Celulares e tablets guardam e-mails, contatos, aplicativos corporativos e credenciais de acesso. Restaurar o aparelho de fábrica tem os mesmos limites da formatação. A sanitização de dispositivos móveis usa software específico, com relatório por aparelho.